Microscopia vaginal | Dra. Julia Karkoska
Investigação dos corrimentos

Microscopia vaginal na investigação dos corrimentos

Uma avaliação objetiva e direcionada, especialmente importante na investigação de quadros persistentes ou recorrentes.

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Dra. Julia Karkoska no consultório, ao lado do microscópio
Na própria consulta

O que é a microscopia vaginal?

A microscopia vaginal é um exame realizado durante a própria consulta. Uma amostra do conteúdo vaginal é coletada, preparada em uma lâmina e analisada ao microscópio naquele momento.

A partir dessa análise, é possível avaliar a flora vaginal, a presença de fungos, células inflamatórias e outras alterações microscópicas que auxiliam na identificação das diferentes causas de corrimento e sintomas vaginais.

Dessa forma, a investigação não se baseia apenas nos sintomas apresentados. A microscopia acrescenta achados objetivos que ajudam a direcionar o diagnóstico e, consequentemente, a escolha do tratamento mais adequado para cada caso.

Microscópio e materiais de coloração no consultório
Corrimentos recorrentes

Por que a microscopia é importante nos corrimentos recorrentes?

Coceira, ardor, alteração do corrimento, odor e desconforto podem estar presentes em diferentes condições. Sintomas semelhantes, portanto, não significam necessariamente o mesmo diagnóstico.

Isso se torna ainda mais importante nos quadros persistentes ou recorrentes, nos quais é comum existir um histórico de diferentes tratamentos ao longo do tempo.

Nem toda coceira é candidíase e nem toda alteração da flora vaginal é vaginose bacteriana. A microscopia permite diferenciar padrões compatíveis com candidíase, vaginose bacteriana, vaginite aeróbia, processos inflamatórios e infecções mistas, entre outras alterações.

Essa diferenciação é fundamental porque condições que provocam sintomas muito parecidos podem ter mecanismos diferentes e, consequentemente, exigir abordagens distintas.

Repitam comigo: nem tudo que coça ou arde é candidíase! rs

Na lâmina

Exemplos de achados microscópicos

Lâmina de microscopia vaginal: candidíase

Candidíase

Exemplo de achados microscópicos compatíveis com candidíase.
Lâmina de microscopia vaginal: vaginose bacteriana

Vaginose bacteriana

Exemplo de alterações da flora vaginal encontradas na vaginose bacteriana.
Lâmina de microscopia vaginal: vaginose citolítica

Vaginose citolítica

Exemplo de padrão microscópico encontrado na vaginose citolítica.
Lâmina de microscopia vaginal: vaginite aeróbia

Vaginite aeróbia

Exemplo de padrão microscópico encontrado na vaginite aeróbia.
Lâmina de microscopia vaginal: infecções mistas

Infecções mistas

Em alguns casos, diferentes alterações podem estar presentes simultaneamente.
Acompanhamento

A lâmina também faz parte do acompanhamento

Nos quadros recorrentes, a microscopia não precisa ser utilizada apenas no momento do diagnóstico.

Durante o acompanhamento, uma nova avaliação da lâmina permite observar como a flora vaginal e os demais achados microscópicos evoluíram após o tratamento.

O acompanhamento não é baseado somente na melhora ou persistência dos sintomas.

A resposta ao tratamento também é avaliada de acordo com os achados da microscopia, permitindo que a conduta seja mantida ou modificada de forma mais objetiva.

Exames complementares

Quando são necessários outros exames?

A microscopia é uma das ferramentas utilizadas na investigação e não substitui todos os outros exames. Dependendo da história clínica e dos achados encontrados na lâmina, a avaliação pode ser complementada, inclusive com coletas realizadas durante a própria consulta.

Em alguns casos, pode haver indicação de:

Cultura para fungos com antifungigrama

Permite identificar a espécie envolvida e avaliar sua sensibilidade aos antifúngicos.

Testes moleculares, como PCR

Para pesquisa de determinadas infecções.

Cada exame responde a uma pergunta diferente. Por isso, a escolha de quais testes realizar é individualizada de acordo com cada quadro.

Achados objetivos

Uma investigação baseada em achados objetivos

Principalmente diante de sintomas recorrentes, o objetivo é evitar que cada novo episódio seja automaticamente interpretado como a repetição do diagnóstico anterior.

A avaliação considera a história clínica, o exame ginecológico e os achados observados na lâmina, complementados por outros testes quando necessário.

A investigação e o acompanhamento são conduzidos com base em critérios microscópicos, evidências científicas e protocolos utilizados no diagnóstico e manejo das vulvovaginites, permitindo uma abordagem mais direcionada para cada paciente.

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